A dor sexual pode estar presente desde o início da atividade sexual ou surgir em qualquer fase da vida, e pode manifestar-se durante a masturbação ou em contacto sexual com parceirx. Seja qual for o motivo da dor, é importante realçar que a dor sexual nunca é normal*, e que existe tratamento.
(*A não ser, claro, que a dor seja provocada, desejada e consentida pela própria pessoa.)
A dor sexual e genital pode manifestar-se de diferentes formas, como por exemplo:
- sensação de parede ou barreira na entrada da vagina, que impossibilita a penetração (ou a inserção de dedos, tampão, copo menstrual…);
- dor tipo “cortar” ou “rasgar” perante a tentativa de inserção/penetração vaginal ou anal;
- dor ao fundo do canal vaginal durante a penetração, como se batesse numa parede, ou como se fosse uma dor menstrual;
- sensação de ardor intenso ao toque na vulva ou na inserção/penetração no canal vaginal, ou até mesmo sem qualquer toque na região;
- dor no clitóris;
- dor na excitação sexual;
- dor durante ou após o orgasmo;
- impossibilidade ou dificuldade ao colocar tampão ou copo/disco menstrual pela dor e desconforto;
- dor na penetração anal;
- dor genital sem existir qualquer toque sequer.
Existem diferentes causas para a existência de dor sexual e genital. Embora algumas dessas causas devam ser primeiramente abordadas pela ginecologia, por necessitarem de tratamento médico, muitas também precisam da intervenção da fisioterapia devido à disfunção do pavimento pélvico que ocorre em simultâneo. Algumas dessas causas podem ser:
- vaginismo (impossibilidade de ocorrer penetração);
- vulvodínia (ardor e/ou dor na vulva – incluindo dor no clitóris, de origem espontânea ou perante toque ou penetração);
- líquen plano ou líquen escleroso;
- disfunção do pavimento pélvico;
- dor após episódio de infeção vaginal ou infeção sexualmente transmissível (que se manifesta mesmo após tratamento da infeção);
- dor com início após o parto (seja parto vaginal ou cesariana);
- dor na penetração anal;
- endometriose e adenomiose;
- cistite intersticial (síndrome da bexiga dolorosa);
- pós-cirúrgico (p ex. histerectomia, outras cirurgias genitais ou abdomino-pélvicas);
- síndrome genito-urinária da menopausa;
- durante e após tratamento oncológico.
O trabalho multidisciplinar é essencial em várias áreas da fisioterapia pélvica, nomeadamente no que conta a dor sexual. Muitas vezes é também necessário recorrer à terapia, ou existir esse trabalho em simultâneo. Lembra-te: a dor nunca está só na tua cabeça, mas também afecta a tua saúde mental e emocional!